Lúcia Valentini; Wander Eustáquio de Bastos Andrade;
Glória Marta Bellon Fernandes; Benedito Fernandes de Souza Filho; Silvino Amorim Neto

(Pesquisadores da Estação Experimental de Campos)
INTRODUÇÃO

O milho é cultivado em quase todo o Estado do Rio de Janeiro e a maior produção está na região Noroeste Fluminense (47,05%). Devido à diversidade de solos, clima e relevo, torna-se difícil abranger todas as possibilidades e particularidades da produção em cada local. Assim, as recomendações apresentadas são gerais e têm o objetivo de servir como guia prático para o agricultor.

Clima: Devido à seleção orientada de cultivares e ao aprimoramento de métodos adequados de manejo, o milho pode ser cultivado desde o nível do mar até 3.600m de altitude. Nas regiões em que o verão apresenta tempe-ratura média diurna inferior a 19o C e temperatura média noturna abaixo de 12,8o C o cultivo do milho não é recomendado.

Escolha da área: Evitar solos arenosos por apresentarem baixa capacidade de retenção de água, bem como os sujeitos a encharcamento. Solos profundos, sem problemas de drenagem e com pequena declividade são os mais indicados.

Calagem: Recomendada quando o pH do solo for menor que 5,5, devendo ser realizada com antecedência mínima de 3 meses da semeadura.

Preparo do solo: Deve ser feito com 1 a 2 arações e gradagens, depen-dendo das condições do terreno. Quando possível, os restos de culturas anteriores devem ser incorporados.

Escolha da cultivar: Os híbridos são mais indicados para os produtores que desenvolvem agricultura mais tecnificada, que visa altos níveis de produtividade, e suas sementes devem ser adquiridas todo ano. As variedades possuem maior produtividade do que o milho comum (catete) e os produtores podem reutilizar as sementes colhidas sem queda de rendimento. São recomendadas as variedades BR 106, Saracura e Sol da Manhã.

Época de semeadura: Com irrigação, o cultivo pode estender-se pelo ano todo, exceto onde ocorrem baixas temperaturas no inverno. Em locais onde a temperatura ultrapassa 35oC, antecipar a semeadura para o início do período chuvoso para que a polinização não coincida com o calor excessivo.

Semeadura: Recomenda-se o plantio em linha, usando 6 a 7 sementes/m de sulco e espaçamento entre linhas de 0,90m, totalizando cerca de 55.555 plantas/ha. Caso o produtor opte pelo plantio em covas, semear 2 a 3 sementes/cova e usar 0,40m entre covas e 0,90m entre linhas, deixando 2 plantas/cova após a germinação.

Quantidade de sementes: A semente é classificada conforme o número da peneira (18, 20, 22 e 24), podendo-se utilizar sementes de qualquer classificação que não haverá perda na produção. Gastam-se, em média, de 18 a 24kg de sementes/ha.
Profundidade de semeadura: Em solos leves ou arenosos, a semeadura deve ser mais profunda (5 a 7cm) e em solos pesados ou argilosos mais superficial (3 a 5cm).

Adubação de semeadura: O ideal é ser realizada conforme os resultados da análise de solo. Para produções médias, pode-se aplicar 20kg de N, 70kg de P2O5 e 40kg de K2O/ha (equivalente a 500kg de 04-14-08/ha). Caso o solo apresente deficiência de enxofre (S), zinco (Zn) e boro (B), solicitar orientação de um técnico.

Adubação de cobertura: Para sistemas não irrigados, recomendam-se de 40 a 70kg/ha de nitrogênio, quando as plantas apresentarem de 8 a 10 folhas totalmente expandidas. Em sistemas de produção irrigados, utilizar doses mais elevadas (100 a 120kg/ha), parceladas em duas épocas (com 6 a 8 folhas e com 10 a 12 folhas).

Tratos culturais: A cultura deve ser mantida sem concorrência de plantas daninhas nos primeiros 40 dias a contar da sua emergência, o que pode ser feito através dos controles cultural, mecânico, químico e integrado.

Necessidades hídricas: O requerimento de água pela cultura varia de 500 a 800mm, bem distribuídos desde a semeadura até o ponto de maturação fisiológica dos grãos. As fases mais sensíveis à deficiência de água são: iniciação floral e desenvolvimento da inflorescência, fertilização e enchimento dos grãos.

Controle da lagarta do cartucho: É a principal praga da cultura. O período crítico de ataque compreende os estádios de 2 a 10 folhas. O primeiro controle é feito quando 20% das folhas de plantas ainda novas apresentam áreas raspadas. O segundo controle é realizado quando se observar a presença de excrementos (tipo serragem) e furos nas folhas recém-abertas. Pode causar danos à espiga, por isso deve ser combatida até antes da fase de espigamento.

Tipos de controle: tratamento de sementes (para ataques precoces), aplicação de inseticidas específicos com bico leque e de alta vazão, com preferência para inseticidas fisiológicos ou biológicos e méto-dos culturais (rotação de culturas, épocas de semeadura, etc.).

Colheita: Ocorre entre 130 e 150 dias após a emergência.

Secagem e armazenamento: O milho em espiga ou debulhado deve ser seco em torno de 13% de umidade, obtido na prática quando os grãos apresentarem-se firmes e resistentes à pressão com a unha. Para sementes, tratar com produtos específicos (polvilhamento e/ou expurgo), sempre com orientação técnica. O armazenamento deve ser feito em local seco, fresco e livre de roedores.
MILHO
Recomendações Técnicas