ASPECTOS DO MERCADO E DA COMERCIALIZAÇÃO DA MANGA
RIO DE JANEIRO - 1996/2005
Hilton Cunha1; Jorge Alves da Cruz e Silva2; Marco César Rennô3

(1Pesquisador colaborador; 2Pesquisador da PESAGRO-RIO; 3Bolsista da FAPERJ/PESAGRO-RIO)
INTRODUÇÃO

A inserção de variedades comerciais no cultivo da manga no País resultou no crescimento de produtividade e na colocação no mercado de um produto de melhor qualidade, que se destaca pelas características de coloração, ausência de fibra, rendimento  da  polpa
e casca mais resistente ao transporte, passando a ter significativa representação econômica. As variedades introduzidas possibilitam o nivelamento da produção ao longo do ano, diminuindo o desequilíbrio do abastecimento do mercado com redução dos períodos de entressafra, característicos das variedades anteriormente cultivadas.

O Estado do Rio de Janeiro, embora não seja grande produtor, nos últimos anos participa do processo de melhoramento com cultivos nos municípios de Cambuci, Itaguaí, Itaocara, Itaperuna, Maricá, Miracema, Rio de Janeiro, Santa Maria Madalena, São Fidélis, São Gonçalo e Saquarema, entre outros, que apresentam condições favoráveis para o desenvolvimento da manga, totalizando, em 2004, área de 251ha, segundo dados do IBGE, contando com incentivos de crédito, financiamento, assistência técnica e pesquisa agropecuária inseridos no Programa Frutificar.

O presente estudo tem por objetivo evidenciar aspectos do mercado e da comercialização da manga no Rio de Janeiro, relacionados ao crescimento da oferta, variedades comercializadas, padrões de embalagens usadas, calendário e condições de mercado.

Utilizando amostra intencional dos dados e informações armazenadas nos Bancos de Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (PESAGRO-RIO) e das Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro S.A. (CEASA-RJ), buscou-se evidenciar a tendência do comportamento dos preços e a oferta comercializada.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Em atendimento à demanda crescente, não só pelo crescimento populacional, mas, sobretudo, pela conscientização do consumidor do valor nutricional do produto, a oferta da manga, a partir de 1996, tem aumentado anualmente, observando-se o diferencial acumulado de 51,07% (Quadro 1).
Quadro 1 - Crescimento da oferta de manga comercializada no mercado atacadista do Rio de Janeiro - 1996/2005.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
O abastecimento do mercado de manga do Rio de Janeiro em 2005 foi realizado com o produto procedente de 21 dos 27 estados brasileiros, atingindo o volume total de 1.795.725 caixas de 25kg.

As mais altas participações na oferta comercializada pertencem, em média, aos estados da Bahia (27,87%), São Paulo (27,15%), Minas Gerais (10,00%), Pernambuco (10,46%) e Rio de Janeiro (6,97%). As demais 16 Unidades da Federação participam com pequenas quantidades, totalizando 17,55% (Quadro 2 e Figura 1).

Quadro 2 - Comercialização de manga por procedência. Rio de Janeiro - 1996/2005.
Figura 1 - Principais participações no abastecimento de manga no mercado atacadista do Rio de Janeiro. 1996/2005.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
Deve-se ressaltar que o Rio de Janeiro recebe mangas até dos estados do Pará e Tocantins, evidenciando ser um mercado competitivo, apesar das distâncias.

O período de menor oferta de manga no Estado do Rio de Janeiro ocorre de abril a julho, em função da queda da produção da variedade Espada Comum, predominante em seus pomares, iniciando-se a recuperação em agosto e setembro. Todavia, o mercado mantém nível de comercialização regular em relação ao atendimento à demanda com os aumentos das entradas do produto de outros estados em maio e julho, período em que o crescimento alcançou, em 2005, os índices de 307,35% e 122,36%, respectivamente, em comparação com os mesmos meses do ano anterior, totalizando aumento anual médio de 38,58%. Em 2005, foram registrados acréscimos na oferta em todos os meses (Quadro 3 e Figura 2).
Quadro 3 - Variação da oferta no mercado atacadista do Rio de Janeiro - 2004/2005.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
Figura 2 - Variação da oferta comercializada no Rio de Janeiro - 2004/2005.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
Quanto às variedades, diversas são comercializadas, todas nacionais: Espada Comum, Espada Bourbon, Espadinha, Rosa, Carlotinha e as híbridas Keity, Tommy, Palmer e Haden, sendo esta última mais dirigida à exportação. A participação de cada variedade no mercado não é estimada objetivamente, todavia observações empíricas indicam que as mais presentes são: Espada Comum, Espadinha e Keity, todas produtos de época. A variedade Tommy é a única com presença constante em todos os meses do ano.   

A manga é comercializada em diferentes embalagens, caixas de madeira e de papelão, não existindo padronização oficial para o País, embora órgãos de Governo que atuam no setor tenham despendido esforços para definir padrões de qualidade dos frutos na tipificação e embalagens. Os tipos, embalagens e forma de acondicionamento adotados pelo mercado, em sua maioria, são resultantes de observações dos operadores do mercado, buscando minimizar perdas, aumentar a renda e os lucros, contando com o apoio dos órgãos governamentais responsáveis pela defesa sanitária e pela fiscalização de produtos vegetais. As embalagens mais utilizadas com cada variedade atualmente no mercado têm as seguintes características:

Os preços praticados no mercado variam em função da qualidade, da variedade da fruta, da embalagem e da quantidade comercializada. Por serem produtos de época, somente as variedades Espada Bourbon e Tommy estão presentes no mercado atacadista do Rio de Janeiro em todos os meses do ano, em quantidades suficientes para formar preço de comercialização (Quadro 4).

Quadro 4 - Preços médios correntes praticados no mercado atacadista do Rio de Janeiro - 2004/2005.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
Independentemente da maior oferta do produto, em 2005 os preços se mostraram crescentes, superando o IPA do mês correspondente para as variedades Espada Bourbon e Tommy, comercializadas de janeiro a dezembro, evidenciando condição “FIRME” para o mercado atacadista de manga e que as oscilações dos preços correntes das diferentes variedades de manga são bem mais expressivas que o índice. As demais variedades, Palmer, Carlotinha e Espadinha, só foram negociadas em poucos meses dos anos analisados, com pequenas significâncias para o comércio total de manga. As variações dos preços da manga Tommy superam as verificadas nas cotações da Bourbon (Quadro 5).

Quadro 5 - Variação dos preços no mercado atacadista de manga. Rio de Janeiro - 2005/2004.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
A análise da variação sazonal dos preços de manga, com base nos preços praticados referentes à Espada Bourbon, cuja comercialização ocorre em todo o ano, indica preços crescentes até agosto, quando atinge o mais alto valor, superando o índice médio anual em 44,87%, decrescendo a seguir e chegando ao mínimo em dezembro. O índice sazonal supera o médio no período de março a setembro (Quadro 6 e Figura 3).
Quadro 6 - Variação sazonal dos preços da manga Espada Bourbon no mercado atacadista do Rio de Janeiro - 1996/2004.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
Figura 3 - Variação estacional de preços de manga no mercado atacadista do Rio de Janeiro - 1996/2004.
Fonte: Serviço de Informação de Mercado Agrícola/PESAGRO-RIO.
CONCLUSÕES

O mercado da manga do Rio de Janeiro passa por um processo de desenvolvimento quantitativo e qualitativo, contando com a participação de vinte e uma das vinte e sete Unidades da Federação, com destaque para Bahia, São Paulo e Minas Gerais. A participação do Estado do Rio de Janeiro no abastecimento do mercado ocupa a quinta posição.

O período de menor oferta está concentrado nos meses de abril a julho, quando o mercado recebe o produto inclusive dos estados do Pará e do Tocantins, época em que se torna mais competitivo em relação às grandes distâncias das zonas de produção.

Os meses de maior importação são maio e julho, contribuindo para proporcionar ao mercado a condição de “REGULAR” em relação ao atendimento à demanda pelo produto.

As principais variedades comercializadas são Espada Bourbon e Tommy, presentes no mercado de janeiro a dezembro, constatando-se, em alguns meses, a oferta das variedades Espadinha, Rosa, Carlotinha e as híbridas Keity, Palmer e Haden.

As embalagens utilizadas na comercialização são caixas de madeira e de papelão, não existindo padronização oficial de suas características.

Os preços praticados no mercado variam em função da qualidade da variedade, da embalagem e da quantidade comercializada.

Em 2005, os preços praticados no mercado atacadista mostraram variações superiores às do ano anterior, superando os valores mensais do índice de preços no atacado - IPA-DI da Fundação Getúlio Vargas.

No decorrer de 2005, o mercado apresentou a condição “FIRME” em relação aos preços verificados nos períodos correspondentes do ano anterior. Em outubro e dezembro, mostrou a condição “FRACO”, meses de cotações favoráveis aos compradores. 

A variação sazonal dos preços indicou crescimento até agosto, caindo a partir de setembro, com as mais baixas cotações ocorrendo em dezembro.

O período de março a setembro apresentou índice sazonal superior ao índice médio, evidenciando que os preços praticados no período foram superiores ao preço médio.

Os autores sugerem que os órgãos produtores das estatísticas de comercialização contemplem em suas pesquisas as especificações das variedades e tipos de embalagens usadas no mercado, tanto no que se refere a preços como quantidades, independentemente de serem ou não produtos de época no mercado e do nível de significância relativa dos volumes em oferta.