Vinícius Vitoi Silva
(Pesquisador da Estação Experimental de Nova Friburgo)
INTRODUÇÃO

Quem acompanha o desenvolvimento da agricultura sabe que o plantio direto é uma realidade em diversas regiões do Brasil. Uma técnica inovadora que resgata a importância da matéria orgânica na manutenção da fertilidade dos solos.

Desde a década de 80, o plantio direto é utilizado em lavouras de grãos como soja, trigo, milho e feijão. Atualmente, há uma tendência de aplicar esta técnica também em outras atividades agrícolas, como no plantio de cana e de café, em reflorestamentos, na implantação de pomares, em pastagens e hortaliças.

O QUE É PLANTIO DIRETO?

É uma forma de plantio que evita o revolvimento mecânico do solo (aração e gradagem). Com esta técnica, os resíduos de vegetais são mantidos sobre a superfície do solo e a camada de palha estabelecerá um ambiente favorável ao bom desenvolvimento das raízes das plantas de interesse econômico.
Antigamente, o plantio direto era conhecido como "plantio na coivara" e ainda é comum em várias regiões. Muitos agricultores valorizavam o "cisco", ou seja, a palha deixada na roça, porque reconheciam a sua função de manter a "força" do solo.

O efeito da palha, cobrindo e protegendo o solo, pode ser comparado à camada de folhas mortas que mantém a fertilidade de uma floresta. A comunidade de organismos que vive no solo decompõe as folhas, liberando nutrientes e ainda produz o húmus, principal indicador da qualidade do solo de uma floresta, que também é conhecido como matéria orgânica.

Além de fértil, pode-se perceber que o solo da floresta não é duro e compactado. Com pouca umidade, as ervas e pequenos arbustos conseguem desenvolver suas raízes.

O plantio direto procura reproduzir a estratégia da natureza para garantir a germinação e o crescimento das mudas.

PLANTIO DIRETO DE HORTALIÇAS

No Brasil, são desenvolvidas experiências inovadoras. Uma delas é o plantio de cebola sem o preparo convencional do solo, que existe há mais de 15 anos e foi iniciativa de agricultores catarinenses, que desenvolveram inclusive máquinas para trabalhar sobre a palha.

No Rio de Janeiro, estão sendo desenvolvidas pesquisas para adaptar o plantio direto de couve-flor, brócolos, tomate e berinjela. Os resultados obtidos mostraram a viabilidade desta forma de plantio, que pode ser utilizada em regiões frias e, também, nas áreas mais quentes do Estado.

NÃO É APENAS UMA TÉCNICA

É um conjunto de ações interligadas, dependentes umas das outras, realizadas de forma contínua, o que significa que uma ação isolada das outras não terá o efeito que se espera.

O plantio direto deve ser entendido como um processo dinâmico, que significa estar sempre mudando ou em movimento. Para fazer o plantio direto de hortaliças, é necessário dedicação, capacidade de observação e decisão. Deve-se considerar que os resultados só aparecem após algum tempo.

O APRENDIZADO NO DIA A DIA

A adoção desta técnica implica profundas modificações na maneira de entender processos básicos da agricultura, como o preparo do solo, a abertura de covas, a adubação e a capina. É natural que apareçam dúvidas.

A forma mais eficiente para superar as dificuldades e ajustar o plantio direto à realidade específica de uma região é a integração entre agricultores e técnicos. A pesquisa participativa e a troca de experiências entre agricultores são excelentes formas para o agricultor ganhar confiança e ajustar esta tecnologia a sua realidade.

ADUBAÇÃO VERDE E PLANTA DE COBERTURA

A adubação verde é uma das melhores formas de manter a produtividade ao longo do tempo.

O agricultor deve encontrar uma forma de ajustá-la ao seu calendário de rotação.

Não é possível fazer o plantio direto sem adubo verde ou planta de cobertura.

Benefícios da adubação verde:
PLANTIO DIRETO DE HORTALIÇAS
Recomendações Técnicas
· Diminui a incidência de plantas invasoras.
· Aumenta a capacidade do solo em reter água.
· Favorece a drenagem.
· Retira nutrientes de camada profunda que é depositada na superfície.
· Auxilia o controle de algumas doenças e de nematóides.
· Contribui para a economia de insumos.