CANA-DE-AÇUCAR
Arivaldo Ribeiro Viana 1; José Márcio Ferreira 1;
Saul de Barros Ribas Filho 2 e José Ribeiro Filho 3
chegando, inclusive, a prejudicar o abastecimento do produto no mercado. Com a possibilidade de se usar a cana-de-açúcar como forrageira ou no preparo da Sacharina, houve grande interesse dos produtores pelo seu plantio. As primeiras observações feitas pela PESAGRO-RIO com a cana-de-açúcar para fins forrageiros foram na região Serrana (Carmo), onde foram avaliados dez genótipos, identificando-se as melhores variedades em trabalho conjunto com a EMATER-RIO e produtores. A partir de então, cresceu a demanda por tecnologia para a produção de cana-de-açúcar em outros municípios, como Duas Barras, Sapucaia, Miracema, Araruama, Cachoeiras de Macacu e Cambuci.

INTRODUÇÃO


A cultura da cana-de-açúcar (Saccharum spp) no Estado do Rio de Janeiro ocupa uma área de aproximadamente 137 mil hectares, dos quais 91% localizados na região Norte Fluminense, onde se concentra o maior número de indústrias. A produtividade da cultura é baixa (46t/ha) devido a não adoção das tecnologias recomendadas. A cana-de-açúcar é cultivada para diversas finalidades, como a produção de açúcar, álcool, caldo, cachaça, rapadura, melado, forragem e Sacharina, sendo as duas últimas para a alimentação animal. Para qualquer dessas finalidades, deve apresentar alto teor de sacarose e ser adaptada às diversas condições de clima e solo.


RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

Época de plantio: o plantio da cana não irrigada é feito em dois períodos: entre janeiro e março para a cana de ano e meio e entre outubro e dezembro para a cana de ano. Com irrigação, os períodos podem ser de janeiro a abril e de setembro a dezembro.

Escolha da área: em áreas acidentadas, o produtor deve ter o cuidado de fazer o plantio em curva de nível quando a declividade for acentuada. Para plantios em áreas de baixada, os solos devem ser bem drenados.

Preparo do solo: em áreas de baixada, a primeira aração deve ser feita mais rasa, aos 60 dias antes do plantio, com aproximadamente 15 cm, para a destruição dos restos culturais da atividade anterior, ou através de uma gradagem pesada. Por ocasião do plantio, a segunda aração deve ser mais profunda, aproximadamente 30 cm, fazendo-se duas gradagens para destorroamento do solo. Em áreas de tabuleiro e morros com textura mais leve, o número de operações pode ser reduzido. Deve-se ressaltar que essas operações devem ser sempre cruzadas.

Plantio: a cana-planta deverá ter idade média de 11 meses, devendo ser proveniente de viveiros, e colhida crua, com palha. Antes do plantio, faz-se a despalha completa e corta-se em toletes com três gemas, tendo-se o cuidado de eliminar os brocados ou doentes. Esse sistema deve ser utilizado quando as condições da cana-planta, solo e clima forem desfavoráveis. Sob condições normais, o sistema de plantio com a cana inteira, despalhada e cortada no sulco com três gemas, também pode ser utilizado, poupando mão-de-obra e aumentando o rendimento dos serviços. Gastam-se, em média, 8 toneladas de cana-planta/ha. A sulcação deve ser feita mecanicamente, à profundidade de 25 cm. No caso de se utilizar adubação no plantio, deve-se ter o cuidado de não deixar o adubo em contato com os toletes. Nesse sistema, normalmente não é feito o tratamento fitossanitário. Após a colocação no fundo do sulco, faz-se a sua cobertura com uma camada de solo de 6 a 8 cm. Em solos mais úmidos e com altas temperaturas, a camada deve ser de 6 cm. O espaçamento entre sulcos deve ser de 1,00 a 1,50 m, dependendo da variedade utilizada.

Variedades: para uso na alimentação animal, são recomendadas as variedades RB 739735 e RB 739359 para solos de topografia plana e de boa fertilidade. Para solos de topografia mais acidentada e média fertilidade, recomenda-se a variedade SP 701143.

Tratos culturais: a lavoura deve ser mantida no limpo até 120 dias após o plantio. O controle pode ser feito mecanicamente por capina manual ou herbicidas. No caso do controle químico, o produtor deve sempre buscar orientação técnica.

Irrigação: pode ser feita por sulcos de infiltração ou aspersão, de acordo com o planejamento feito por um técnico da área.
Adubação orgânica: pode ser feita na lavoura, devendo-se realizar sempre a análise de solo para melhor cálculo dos materiais disponíveis na propriedade.

Calagem: apesar da cana-de-açúcar não apresentar grandes respostas ao uso da calagem, é importante o conhecimento das quantidades de cálcio e magnésio para a sua correção.

Adubação mineral: na adubação química, o único elemento utilizado sem análise é o nitrogênio, na quantidade de 60 kg por hectare, quando o solo apresentar baixo teor de matéria orgânica. Podem ser aplicados 50% no plantio, em fundação, e o restante 90 dias após. Quanto aos demais elementos, devem ser utilizados em função das análises de solos.

Pragas e doenças: algumas pragas podem surgir, como broca da cana-de-açúcar, cigarrinha da folha, lagartas desfolhadoras e cupins. Sempre que for observada a incidência de qualquer uma delas, um técnico deve ser consultado. As doenças não têm causado problemas graves. Mesmo assim, ao se suspeitar da presença de alguma doença, um técnico deve ser procurado.

Colheita: a cana-de-açúcar sempre deve ser colhida crua, principalmente para o uso na alimentação animal. Antes da colheita, faz-se a leitura do Brix através do refratômetro de campo para se verificar o ponto de maturação. O Brix deve estar no valor mínimo de 18º e, no máximo, em torno de 26º. O corte para forragem é feito rente ao solo, procurando-se manter toda a parte verde da planta. Quando se destinar ao preparo da Sacharina, deve-se eliminar a olhadura e as palhas, depositando-as sobre o solo para posterior embarque e transporte. Com o uso dessas técnicas, estima-se uma produtividade de colmos de 90 toneladas por hectare.


CANA-SOCA

Tratos culturais: após a colheita da cana-planta, faz-se o enleiramento da palha para o cultivo e adubação. No caso de ser feita adubação, deve-se ter o cuidado de não deixar o adubo em contato com as folhas da cana-de-açúcar. Após a adubação, faz-se o cultivo com aradinho (tração animal) ou cultivo mecânico (tiller). O ciclo da soca é de aproximadamente 12 meses, independentemente da época de plantio, utilizando-se os mesmos procedimentos usados para a cana-planta. Na soca, a produtividade de colmos estimada é de 70 toneladas por hectare.
Recomendações Técnicas
1 Pesquisadores da Estação Experimental de Campos;
2 Assistente Técnico da Estação Experimental de Campos
3 Extensionista da Emater-Rio

CONSIDERAÇÕES

A cana-de-açúcar é cultivada no Estado do Rio de Janeiro principalmente para o aproveitamento pela indústria, mas também é plantada em áreas de bacias leiteiras, tendo em vista a falta de alimentos alternativos para o rebanho na época seca do ano, quando a produção leiteira decresce drasticamente,